Ouvir Músicas Mais Tocadas Aldir Blanc, Músico, Compositor e escritor

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TOP 20 músicas mais tocadas Aldir Blanc, Músico, compositor e escritor.

O cronista Aldir Blanc

Ouvir Músicas mais tocadas Aldir Blanc.
Blanc era também cronista, reconhecido pelas bem-humoradas histórias e personagens da Zona Norte do Rio.
Publicou vários livros, entre eles “Rua dos Artistas e Arredores” (Ed. Codecri, 1978); “Porta de tinturaria” (1981), “Brasil passado a sujo” (Ed. Geração, 1993); “Vila Isabel – Inventário de infância” (Ed. Relume-Dumará, 1996), e “Um cara bacana na 19ª” (Ed. Record, 1996), com crônicas, contos e desenhos.
Contribuiu, ainda, com crônicas para os jornais O Dia, O Estado de São Paulo e O Globo.

Veja agora Ouvir Músicas mais tocadas Aldir Blanc + Letra da Música Aldir Blanc

OUVIR MÚSICAS E LETRAS DO COMPOSITOR ALDIR BLANC:

Letra Música Resposta Ao Tempo – Aldir Blanc

Batidas na porta da frente
é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter
argumento
Mas fico sem jeito, calado
ele ri
Ele zomba de quanto eu chorei
porque sabe passar
e eu não sei
Num dia azul de verão sinto vento
há folhas no meu coração é o tempo
recordo um amor que eu perdi
ele ri
Diz que somos iguais
se eu notei
pois não sabe ficar
e eu também não sei

E gira em volta de mim
sussurra que apaga os caminhos
que amores terminam no escuro
sozinhos

Respondo que ele aprisiona,
eu liberto
Que ele adormece as paixões
e eu desperto
E o tempo se vai com inveja
de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
me esquecer

Letra Música Cabaré – Aldir Blanc

Na porta lentas luzes de neon
Na mesa flores murchas de crepon
E a luz grená filtrada entre conversas
Inventa um novo amor, loucas promessas
De tomara-que-cais surge a crooner do norte
Nem aplausos, nem vaias: um silêncio de morte
Ah, quem sabe de si nesses bares escuros
Quem sabe dos outros, das grades, dos muros
No drama sufocado em cada rosto
A lama de não ser o que se quis
A chama quase morta de um sol posto
A dama de um passado mais feliz
Um cuba-libre treme na mão fria
Ao triste strip-tease da agonia
De cada um que deixa o cabaré
Lá fora a luz do dia fere os olhos
Ah, quem sabe de si nesses bares escuros
Quem sabe dos outros

Letra Música Amigo É Pra Essas Coisas – Aldir Blanc

-Salve
.Como é que vai?
-Amigo há quanto tempo
.Um ano ou mais
-Posso sentar um pouco?
.Faça o favor
-A vida é um dilema
.Nem sempre vale a pena
-Pô
.O que que há?
-Rosa acabou comigo
.Meu Deus porque
-Nem Deus sabe o motivo
.Deus é bom
-Mas não foi pra mim
.Todo amor um dia chega ao fim
-Triste
.É sempre assim
-Eu desejava um trago
.Garçon mais dois
-Não sei quando eu lhe pago
.Se vê depois
-Estou desempregado
. Você está mais velho

.Vida ruim
-Você está bem disposto
.Também sofri
-Mas não se vê no rosto
.Pode ser
-Você foi mais feliz
.Dei mais sorte com a Beatriz
-Pois é
.Tudo bem
-Pra frente é que se anda
.Você se lembra dela
-Não
.Lhe apresentei
-Minha memória é fogo
.E o “largent”?
-Defendo algum no jogo
.E amanhã?
-Que bom se eu morresse
.Pra que rapaz?
-Talvez Rosa sofresse
.Vá atrás
-Na morte a gente esquece
.Mas no amor a gente fica em paz
-Adeus
.Toma mais um
-Já amolei bastante
.De jeito algum
-Muito obrigado amigo
.Não tem de que
-Por você ter me ouvido
.Amigo é pra essas coisas
-Tá
.Toma um Cabral
-Sua amizade basta
.Pode faltar
-O apreço não tem preço
Eu vivo ao Deus dará

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Letra Música Querelas do Brasil – Aldir Blanc

O Brasil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brasil
Tapir, jabuti
Iliana, alamanda, alialaúde
Piau, ururau, akiataúde
Piá, carioca, porecramecrã
Jobimakarore Jobim-açu
Uô-uô-uô-uô

Pererê, câmara, tororó, olerê
Piriri, ratatá, karatê, olará!

O Brasil não merece o Brasil
O Brasil tá matando o Brasil
Jerebasaci
Caandrades cunhãs, ariranharanha
Sertões, Guimarães, bachianaságuas
Imarionaíma, arirariboia
Na aura das mãos de Jobim-açu
Uô-uô-uô-uô

Jererê, sarará, cururu, olerê
Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará

Do Brasil, S.O.S. ao Brasil

Tinhorão, urutu, sucuri olerê
Ujobim, sabiá, bem-te-vi olará
Cabuçu, Cordovil, Cachambi olerê
Madureira, Olaria ibangu olará
Cascadura, Águasanta, Acari olerê
Ipanema inovaiguaçu olará

Araguaia e tucuruí
Cantagalo, ABC, japeri
Cabo frio xingú sabará
Florianópolis piabetá
Araceli no espirito santo
E o aézio em jacarépaguá
Os inamps o jari a central
Instituto médico legal

Do Brasil, S.O.S. ao Brasil
Do Brasil, S.O.S. ao Brasil

Letra Música O Bêbado E O Equilibrista – Aldir Blanc

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel

Pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco louco
O bêbado com chapéu coco fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete

Chora a nossa pátria mãe gentil
Choram marias e clarisses no solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente
A esperança dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Ah, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
tem que continuar

Letra Música O Coco do Coco – Aldir Blanc

Moça donzela não arrenega um bom coco
nem a mãe dela, nem as tias, nem a madrinha.
Num coco tô com quem faz muito e acha pouco.
Em rala-rala é que se educa a molhadinha.
Se tu não peca, meu bem, cai a peteca, neném,
vira polícia da xereca da vizinha.
Se tu se guarda e não tem
tá encruada que nem ovo no cú da galinha.
Não tem cinismo que diz: entre a santa e a meretriz
só muda a forma com que as duas se arrega.
Eu só me queixo se me criar teia de aranha.
Quem nega tá de manhã ou faz pouco que gozou.
No tempo que eu casei de véu com meu marido
era virgem no ouvido e ele nunca reclamou.
Pra ser sincera, eu acho que isso inté facilitou.

Letra Música Vida noturna Aldir Blanc

Acendo um cigarro molhado de chuva até os ossos

E alguém me pede fogo – é um dos nossos

Eu sigo na chuva de mão no bolso e sorrio

Eu estou de bem comigo e isto é difícil
Eu tenho no bolso uma carta
Uma estúpida esponja de pó-de-arroz
E um retrato meu e dela

Que vale muito mais do que nós dois
Eu disse ao garçom que quero que ela morra
Olho as luas gêmeas dos faróis
E assobio, somos todos sós

Mas hoje eu estou de bem comigo
E isso é difícil
Ah, vida noturna
Eu sou a borboleta mais vadia
Na doce flor da tua hipocrisia

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Letra Música Saudades da Guanabara – Aldir Blanc

Eu sei
Que o meu peito é lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão (eu sei…)
Chorei
Com saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação (…e então)
Armei
Pic-nic na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade
Reguei
O Salgueiro pra muda pegar outro alento
Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar (Brasil)
Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar
Eu sei
Que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração
Chorei
Com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão (…e então)
Passei
Pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi piedade
Plantei
Ramos de Laranjeiras foi meu juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro

Pois é pra gente respirar (Brasil)
Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar

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Letra Música Agnus Sei – Aldir Blanc

Faces sob o sol, os olhos na cruz
Os heróis do bem prosseguem na brisa na manhã
Vão levar ao reino dos minaretes a paz na ponta dos arietes
A conversão para os infiéis
Para trás ficou a marca da cruz
Na fumaça negra vinda na brisa da manhã
Ah, como é difícil tornar-se herói
Só quem tentou sabe como dói vencer satã só com orações
Ê andá pa catarandá que deus tudo vê
Ê andá pa catarandá que deus tudo vê
Ê anda, ê hora, ê manda, ê mata, responderei não!
Dominus dominium juros além
Todos esses anos agnus sei que sou também
Mas ovelha negra me desgarrei, o meu pastor não sabe que eu sei
Da arma oculta na sua mão
Meu profano amor eu prefiro assim
À nudez sem véus diante da santa inquisição
Ah, o tribunal não recordará dos fugitivos de shangri-lá
O tempo vence toda a ilusão
Ê andá pa catarandá que deus tudo vê
Ê andá pa catarandá que deus tudo vê
Ê anda, ê hora, ê manda, ê mata, responderei não!

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Letra Música Recreio Das Meninas II – Aldir Blanc

Eu fui de bengala, tossindo, com febre, lá no Renascença,
porque em toda a vida o samba foi cura pra minha doença.
Sentei no meu canto, uma voz perguntou: “O que que vai querer?”
Perdi a cabeça e falei pra menina:
– Eu queria você…

Um riso de aurora acolheu meu ocaso e a pressão subiu.
Peguei meu remédio mas as mãos tremiam e o vidro caiu.
Chutei a caixinha, pedi caipirinha, pernil e café.
Receita infalível pro meu coração é um corpo moreno de mulher.

Eu vou com ela ao Capela, ao Siri e traço moqueca, carré, javali…
Digo sempre, bebendo com o Jorge:
– Foi no Renascença que eu renasci.

Aos que me gozam no bar,
dizendo que eu sou
o Recreio das Meninas,
respondo:
– Andorinhas fazem ninho nas ruínas.

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Letra Música Paquetá, Dezembro de 56 – Aldir Blanc

Paquetá, dezembro de 56
Vocês não lembram
Meninos eu vi uma cabocla chamada Eucy
Ai! nem no Taiti

Boca machucada, olhar coquete, mãos de fada
Que apaixonaram o Roque da charrete numa serenata enluarada

Mas o amor de dois passou a ser de três
Um tal Nandinho que falava inglês disse “I love you”, Eucy achou demais
O Roque enlouqueceu
E nadou pra Brocóio quando a lua se escondeu
Só no dia de São Roque, o Roque apareceu

Diz a lenda
O corpo estava conservado
O céu todo estrelado na noite de Jasmins
Junto à beira mar se despediu do morto, à escolta de mil botos, sereias e marlins
Uma vela azul ardeu no oratório, no altar do preventório
Onde Eucy orou e se matou

Ah, triste destino desses dois amantes
Perderam a vida toda por instantes que o prazer jamais justificou

Ah, o que eu me lembro pode não ter sido tão fielmente o fato acontecido
Essa é a sina que assassina e salva qualquer narrador

Pois talvez Eucy não fosse linda nem tão pura
E o Roque fosse um chato, um mala, um indiscreto, e o tal Nandinho até analfabeto

Mas não tem importância, a vida é uma festa
Eu quis apenas cantar seresta
Eu fumei no preto, e bebi uns tragos do escocês

Vocês não precisam acreditar que um dia aconteceu tanto em Paquetá, dezembro de 56

Letra Música Lupicínica – Aldir Blanc

– Aí, Nei, essa vai pra Valmir Gato Manso
Amei
Uma enfermeira do Salgado Filho,
Paixão passageira, sem charme nem brilho,
Roteiro batido, romance na tarde.

E aí, numa seresta na Dois de Dezembro,
Me perguntaram por ela: “-Nem lembro…”,
Eu respondi com um sorriso covarde.

Ouvi – que bofetada! – “Morreu duas vezes.
Uma aqui e agora, a outra há seis meses”.
Balbuciei: “-Morrida ou matada?”

“-Depende do seu conceito de assassinato.
Um pobre amor não é amor barato.
Quem fala de tudo não sabe de nada.”

Na rua do Tijolo, bloco 5, aquele de esquina,
Morou uma enfermeira com a chama vital de Ana Karenina.

Dirá um dodói que Tolstói era chuva demais pra tão pouca planta.
Ô trouxa, heroínas sem par podem brotar na Rússia ou lá em Água Santa…

Aquela mulher que dosava o soro nas veias dos agonizantes
Não teve sequer um calmante pra dor sem remédio que aflige os amantes.

Por mais que a literatura celebre figuras em vã fantasia
Ninguém foi mais nobre que a Pobre da Enfermaria.

Letra Música Dois Bombons E Uma Rosa – Aldir Blanc

Faço votos de feliz casamento,
Parabéns pra você,
Prevaleceu seu bom-senso.
Reconheço que era chato
Ser a outra eternamente
Com encontros marcados
Por coisas do tipo? eu subo na frente?.
Finalmente teu garoto
Vai ter um pai de primeira,
Você mais segurança
E um pingüim na geladeira.
Na cabeceira um relógio,
A hora mais luminosa,
Churrascaria aos domingos:
Dois bombons e uma rosa.
Apenas quero fazer
A necessária ressalva:
Jamais comente o passado,
Lembre o conselho de Dalva.
Não há xampu, não há creme
Que apague ou que desmarque
Da tua pele o meu beijo
Fedendo a conhaque.

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Letra Música Catavento e Girassol – Aldir Blanc

Meu catavento tem dentro
O que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido
Eu te pedi sustenido
E você riu bemol
Você só pensa no espaço
Eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio
Você é litorânea
Quando eu respeito os sinais
Vejo você de patins
Vindo na contra-mão
Mas, quando ataco de macho
Você se faz de capacho
E não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega
Nós não ouvimos conselho:
Eu sou você que se vai
No sumidouro do espelho
Eu sou do Engenho de Dentro
E você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio
E você é expansiva
(o inseto e a flor)
Um torce pra Mia Farrow
O outro é Woody Allen…
Quando assovio uma seresta
Você dança, havaiana
Eu vou de tênis e jeans
Encontro você demais:
Scarpin, soirée
Quando o pau quebra na esquina
Você ataca de fina
E me oferece em inglês:
É fuck you, bate-bronha
E ninguém mete o bedelho:
Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho
A paz é feita no motel
De alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois
Que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval
Aumentam os desenganos:
Você vai pra Parati
E eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro
O vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora
O escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade
Você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço
Você é tão espontânea!
Sei que um depende do outro
Só pra ser diferente
Pra se completar
Sei que um se afasta do outro
No sufoco somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser
E eu sou mais vermelho
Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho

Letra Música Fantasia – Aldir Blanc

Olhando na quarta-feira as ruas vazias
Com os garis dando um jeito em nossa moral
Custei a compreender que fantasia
É um troço que o cara tira no carnaval
E usa nos outros dias por toda a vida
Dizendo: “Olá! Como vai?” e coisas assim
O nó da gravata apertando o pescoço
Olhando o fundo do poço e rindo de mim
Ria, rasguei a fantasia, ria
Queimei a garantia, ria
Tô solto por aí
Doido, eu danço de Pierrot, triste
Morrendo em meu amor, ria
Vendo você morrer de rir

Letra Música Me Dá a Penúltima – Aldir Blanc

Eu gosto quando alvorece
Porque parece que está anoitecendo
E gosto quando anoitece, que só vendo
Porque penso que alvorece
E então parece que eu pude
Mais uma vez, outra noite,
Reviver a juventude.

Todo boêmio é feliz
Porque quanto mais triste, mais se ilude.
Esse é o segredo de quem, como eu, vive na boemia:

Colocar no mesmo barco, realidade e poesia
Rindo da própria agonia,
Vivendo em paz ou sem paz
Pra mim tanto faz,
Se é noite ou se é dia.

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Letra Música Corsário – Aldir Blanc

Meu coração tropical está coberto de neve mas
Ferve em seu cofre gelado, a voz vibra e a mão escreve: Mar
Bendita a lâmina grave que fere a parede e traz
As febres loucas e breves que mancham o silêncio e o cais
Roseirais, Nova Granada de Espanha
Por você, eu, teu corsário preso
Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar, me arrastar até o mar, procurar o mar
Mesmo que eu mande em garrafas mensagens por todo o mar
Meu coração tropical partirá esse gelo e irá
Com as garrafas de náufragos e as rosas partindo o ar
Nova Granada de Espanha e as rosas partindo o ar
Mesmo que eu mande em garrafas mensagens por todo o mar
Meu coração tropical partirá esse gelo e irá

Letra Música Kid Cavaquinho – Aldir Blanc

Oi que foi só pegar no cavaquinho
Pra nego bater
Mas seu contar o que é que pode um cavaquinho
Os home não vão crer:
Quando ele fere, fere firme
E dói que nem punhal
Quando ele invoca até parece
Um pega na geral

Genésio!
A mulher do vizinho
Sustenta aquele vagabundo
Veneno é com meu cavaquinho
Pois se eu to com ele
Encaro todo mundo
Se alguém pisa no meu calo
Puxo o cavaquinho
Pra cantar de galo

Letra Música Medalha de São Jorge – Aldir Blanc

Fica ao meu lado, São Jorge Guerreiro
Com tuas armas, teu perfil obstinado
Me guarda em ti, meu Santo Padroeiro
Me leva ao céu em tua montaria
Numa visita a lua cheia
Que é a medalha da Virgem Maria
Do outro lado, São Jorge Guerreiro
Põe tuas armas na medalha enluarada
Te guardo em mim, meu Santo Padroeiro
A quem recorro em horas de agonia
Tenho a medalha da lua cheia
Você casado com a Virgem Maria
O mar e a noite lembram a Bahia
Orgulho e força, marcas do meu guia
Conto contigo contra os perigos
Contra o quebrando de uma paixão
Deus me perdoe essa intimidade:
Jorge me guarde no coração
Que a malvadeza desse mundo é grande em extensão
E muita vez tem ar de anjo
E garras de dragão

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Letra Música Dois Pra Lá, Dois Pra Cá – Aldir Blanc

Sentindo frio em minha alma
Te convidei pra dançar
A tua voz me acalmava
São dois pra lá, dois pra cá
Meu coração traiçoeiro
Batia mais que o bongô

Tremia mais que as maracas
Descompassado de amor
Minha cabeça rodando
Rodava mais que os casais
O teu perfume gardênia
E não me pergunte mais
A tua mão no pescoço
As tuas costas macias
Por quanto tempo rondaram
As minhas noites vazias
No dedo um falso brilhante
Brincos iguais ao colar
E a ponta de um torturante
Band-aid no calcanhar
Eu hoje me embriagando
De whisky com guaraná
Ouvi tua voz sussurrando
São dois pra lá, dois pra cá.

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Aldir Blanc, compositor e escritor, morre de Covid-19 no Rio

Ele estava internado no Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel. Blanc é autor de vasta obra musical e literária, como ‘O Bêbado e a Equilibrista’, ‘Resposta ao Tempo’ e ‘Linha de Passe’.

O compositor e escritor Aldir Blanc, de 73 anos, morreu de Covid-19, na madrugada desta segunda-feira (4), no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio.

Blanc é autor de vasta obra musical e literária, como “O Bêbado e a Equilibrista”, feita com João Bosco e eternizada na voz de Elis Regina.
No dia 10 de abril, o compositor deu entrada na CER do Leblon com infecção urinária e pneumonia, que evoluíram para um quadro de infecção generalizada.
Cinco dias depois, a partir de uma campanha de amigos e artistas para conseguir um leito na rede pública de saúde do Rio, Blanc foi transferido para o Hospital Pedro Ernesto.

Aldir Blanc deixa composições que marcaram a vida e a história dos brasileiros. O menino nascido no Estácio, Centro do Rio, era um observador das ruas, poeta da vida e da cidade. Captava a alma do subúrbio.
Virou também cronista e em suas histórias revelava paixões, como o bairro de Vila Isabel, onde passou a infância, o time do coração, o Vasco da Gama, e o carnaval.
Blanc batizou também um dos mais tradicionais blocos do Rio, o “Simpatia é Quase Amor”, que desfila há anos em Ipanema, na Zona Sul.

Troca de medicina pela música

Aldir Blanc Mendes nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 setembro de 1946. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em psiquiatria. Em 1973, abandonou o curso para dedicar-se exclusivamente à música, tornando-se um dos mais importantes compositores de Música Popular Brasileira (MPB).
Uma de suas canções mais famosas, “O Bêbado e a Equilibrista”, feita em parceria com João Bosco, ficou eternizada na voz de Elis Regina.
Outras composições famosas são “Bala com Bala”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “De Frente Pro Crime” e “Caça à Raposa”.
A obra de Blanc reúne, ainda, dezenas de canções conhecidas, feitas em parceria com outros ilustres artistas, como Moacyr Luz, Maurício Tapajós, Paulo Emílio, Carlos Lyra, Guinga, Edu Lobo, Wagner Tiso, César Costa Filho, Cristóvão Bastos, Roberto Menescal, Ivan Lins, entre outros.

O Começo…

Aos 18 anos, Blanc ganhou uma bateria e, pouco depois, formou o grupo Rio Bossa Trio. Em 1968, conheceu o parceiro Sílvio da Silva Júnior. Dois anos mais tarde, a primeira composição da dupla, “Amigo É pra Essas Coisas”, é gravada pelo grupo MPB-4.
Na mesma época, ao lado de outros compositores, como Ivan Lins, Gonzaguinha e Marco Aurélio, funda o Movimento Artístico Universitário (MAU), e torna-se conhecido por criar e integrar associações ligadas à defesa dos direitos autorais. É um dos fundadores da Sociedade Musical Brasileira (Sombras) – responsável pela arrecadação de direitos autorais -, da Sociedade de Artistas e Compositores Independentes (Saci) e da Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes (Amar).
“Ela”, sua composição em parceria com César Costa Filho, foi gravada por Elis Regina, em 1971. No ano seguinte, a cantora grava “Bala com Bala”, parceria com João Bosco, e a canção “Agnus Sei” é lançada no Disco de Bolso, compacto que acompanha o jornal O Pasquim.


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